Ao anjo da igreja em
Tiatira escreve: Estas coisas diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama
de fogo e os pés semelhantes ao bronze polido: Apocalipse 2:18.
Em todo o livro do
Apocalipse esta é a única vez em que Jesus se identifica como o Filho de Deus.
É significativo observar este detalhe, já que esta igreja, portadora de mui
grandes qualidades, tem a agulha da sua bússola apontada para a flexibilidade
de alguns princípios inegociáveis. O Senhor está dando o fundamento de sua
autoridade aqui.
O Filho de Deus tem
Pai, mas não tem mãe. Cristo é o filho eterno do Pai. Jesus é o filho do homem,
encarnação do Verbo por meio de Maria, mas ela não é a mãe de Deus como foi
proposto pela mentalidade jesabeliana desta igreja.
Esta é uma igreja
marcante, uma comunidade de escol, contudo, acabou por escorregar no
intolerável. Apesar de suas virtudes basilares, tropeçou na prostituição
espiritual e moral. Vejam suas qualidades:Conheço as tuas obras, o teu amor,
a tua fé, o teu serviço, a tua perseverança e as tuas últimas obras, mais
numerosas do que as primeiras. Apocalipse 2:19. Tudo isso aqui não foi
suficiente para mantê-la pura e fora do prostíbulo, no panteão do humanismo.
Essa igreja padrão
aqui foi posta agora no paredão: Tenho,
porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se
declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a
praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos.
Apocalipse 2:20.
Fico mais
confortável em estudar estas igrejas sob o foco da filosofia histórica e vejo,
neste caso, não só a cronologia da época, na cidade de Tiatira, como sua
expressão no decorrer da história eclesiástica. Concordo com alguns estudiosos
que esta igreja aqui incorpora o pensamento pós Constantino, com a sua
enxurrada de idolatria cultural. É a era do casamento misto do Cristianismo com
o velho humanismo babilônico.
No seu aspecto
local, a igreja desta cidade, que significa odores fortes, foi movida pela
mentalidade sindicalista de suas várias indústrias e, em seu modelo global,
pela pira industrializada do sindicalismo da religiosidade pagã. Jezabel, a
profetisa; seja ela uma criatura grega da época, seja o espírito da mulher de
Acabe, acabou por embriagar e emprenhar a Noiva como o culto à Samíramis, a
rainha do céu, gerando grande maldição.
Este período
histórico é de mais ou menos mil anos de hegemonia, onde a igreja católica teve
todo tempo dado pelo Filho de Deus para se arrepender do adultério com o
humanismo babélico, porém, não o fez. Dei-lhe
tempo para que se arrependesse; ela, todavia, não quer arrepender-se da sua
prostituição. Apocalipse 2:21.
A questão é: quem
vai para a cama pelo simples prazer da volúpia carnal, se não compungir-se, em
seu coração, será compelido a deitar-se pelo constrangimento e pela dor, no
CTI. Eis que a prostro de
cama, bem como em grande tribulação os que com ela adulteram, caso não se
arrependam das obras que ela incita. Apocalipse 2:22. Parece que está bem
evidente: Deus tem contas sérias a acertar com essa igreja idólatra e adúltera.
Não me venham com diplomacia ecumênica. Os dez mandamentos são claros e a
idolatria é pecado que nos distancia de Deus.
A idolatria conduziu
Israel ao desterro perpétuo e Judá à escravatura babilônica por 70 anos. Nada
pode ser mais falso do que um ídolo. Como disse Matthew Henry, "os ídolos
são chamados falsos porque desfiguram a Deus, considerando que Ele tem um
corpo, quando na verdade Ele é Espírito, além do que, um deus fabricado não é
Deus".
Mas não pense que a
idolatria seja apenas de pau e pedra. Dr. A. W. Tozer foi exato ao dizer:
"a essência da idolatria está em ter pensamentos indignos acerca de Deus.
Um ídolo na mente é tão ofensivo a Deus quanto um ídolo na mão".
O apóstolo João
termina a 1ª carta assim: Filhinhos,
guardai-vos dos ídolos. 1 João 5:21. Qualquer tipo de ídolo; tanto os
fabricados como os idealizados são perversos e contrários à fé cristã. Não
podemos idolatrar nada, nem ninguém. Nem objetos, nem ideias, nem pessoas.
Todas as imagens que tentam representar a divindade, acabam por desfigurá-la de
sua realidade espiritual.
Olhos em chamas de
fogo, vendo os corações, não se deleitam nas aparências e nos ídolos. Não
finjam ser o que não são. Não creiam num deusinho que vocês possam explicar. O
Deus que transcende, trata, acima de tudo, com o nosso íntimo. Matarei os seus filhos, e todas as
igrejas conhecerão que eu sou aquele que sonda mentes e corações, e vos darei a
cada um segundo as vossas obras. Apocalipse 2:23.
Atenção ao culto
dedicado ao personalismo! Todo cuidado é pouco com adoração voltada às
personalidades da congregação. Nenhum ser humano merece veneração ou honras de
altar. Este é um assunto que pertence apenas ao Criador, nunca à criatura.
Essa igreja é uma
comunidade heterogênea ou híbrida. É uma colcha de retalhos: Digo, todavia, a vós outros, os
demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina e que não conheceram,
como eles dizem, as coisas profundas de Satanás: Outra carga não jogarei sobre
vós; Apocalipse 2:24. Vê-se aqui trigo e joio semeados no mesmo campo como
se fossem da mesma cultura. É bom abrir os olhos.
Satanás é esperto
fingindo-se ser anjo de luz. Sua tese principal visa transformar o velho Adão
em Deus e as suas profundezas focalizam, acima de tudo, na justiça do ser
humano ou na justiça humanista como se fosse a realidade espiritual de cima.
A coisa principal no
mundo das trevas são os traços semelhantes. Fingir é a crista da onda no topo
deste período. Todos nós ficamos confusos quando vemos os demônios disfarçados
em anjos. Um profeta falso portando uma suposta procuração de Jesus pode ser
uma das estratégias mais profundas de Satanás, já que Lúcifer é o imitador mais
arguto que se tem de Deus. Ele sempre finge ser o que não é.
Parece claro que a
igreja em Tiatira tipifica bem esse dualismo na congregação. Há, como que, duas
igrejas dentro da mesma comunidade: Digo,
todavia, a vós outros, os demais de Tiatira, a tantos quantos não têm essa doutrina.
Cuidado com o cover travestido de artista principal. Um whisky falsificado é
menos perigoso do que essa igreja quase perfeita, embora tolerante no que é
intolerável.
Existe a vide
verdadeira, mas, também, uma que esposa a doutrina sutil do caos, nas
profundezas do humanismo. Este campo é um palco de grandes tragédias. A maioria
das ovelhas não sabe discernir o cão pastor que pastoreia o rebanho, do velho
lobo liso e lisonjeiro, logicamente, mas ainda lobista e mascarado, como se
fosse o Cordeiro.
A vida cristã
autêntica é definida pela simplicidade de Cristo em toda a plenitude. Aqueles
que não se contentam com Cristo, em singeleza de coração, acabam por se
envolver com as profundezas da imitação satânica, achando que elas falam do
verdadeiro evangelho de Cristo. Tudo aquilo que promove o orgulho nas
entrelinhas e que não trás as marca da humilhação, sem holofotes, é falso, por
mais espetacular que seja.
A igreja de Jesus
Cristo sempre enfrentou muitas lutas, passa ainda por várias tribulações, vive perseguida,
mas não carrega peso. Quem propõe pôr carga nos ombros do povo de Deus são os
promotores da justiça humana. Como ministros de justiça, eles fazem de tudo
para manter a igreja sob o peso de uma conduta movida ao medo, à culpa, à
vergonha, ao dever e aos interesses. Mas essa atitude foge ao modelo da fé
cristã.
O Senhor não vai
colocar mais peso sobre essa igreja ideal, mas manca, e lhe ordena: tão-somente conservai o que tendes,
até que eu venha. Apocalipse 2:25.
O trigo no seio
desta comunidade tem função conservadora que merece atenção especial. Deus
sempre manteve um remanescente no meio da turma que se denomina povo de Deus.
Quando o Senhor retornar, na parousia, Ele terá gente, além da aparência, no
bojo desta estrutura confusa da religião que idolatra tradições, pessoas e
imagens.
Esta igreja complexa
e confusa, mas de grandes virtudes pessoais e de muitas obras, agora está sendo
exortada a observar e conservar as obras de Cristo. Há um apelo muito sério aos
seus membros aqui, a fim de se voltarem diretamente para guardar as obras de
Cristo. Ao vencedor, que
guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
Apocalipse 2:26.
No princípio da
carta Jesus fala das "tuas obras" e das "últimas obras"
muito mais numerosas do que as primeiras, sempre ligando-as à igreja e, as
elogia. No final, Ele fala do vencedor, daquele que guarda até o último
instante as Suas obras, isto é, as obras dEle mesmo e o coloca numa posição de
destaque no Seu reino milenar. Vemos aqui duas fontes ou matrizes de obras:
aquelas ligadas à justiça própria e aquelas outras que dependem da justiça do
Cordeiro.
Quem é afinal o
vencedor? É aquele que experimenta as Suas obras até o fim. É aquele que
depende do sacrifício de Cristo de ponta a ponta, ou seja, aquele que confia na
suficiência da obra de Cristo e não depende das próprias obras para a sua
salvação.
Qual a diferença das
tuas obras e das Suas obras? Quando praticamos as nossas obras elas nos
envaidecem, quando temos êxito, ou, nos entristecemos, quando nós fracassamos.
As obras de Cristo, por outro lado, sempre nos satisfazem. Somos aceitos
somente pelas Suas obras e nunca pelas nossas obras, pois, até as nossas obras
vêm dEle, são feitas por Ele e vão para Ele.
No final Jesus
Cristo promete ao vencedor, aquele que vencer com a Sua vitória, que ele terá
plena autoridade sobre as nações e
com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de
barro; assim como também eu recebi de meu Pai, dar-lhe-ei ainda a estrela da
manhã. Apocalipse 2:27-28.
Nós não seremos
vitoriosos por nossos próprios méritos, nem regeremos com firmeza no Reino
milenar por causa das nossas obras e qualidades, mas por causa da plena
suficiência do Cordeiro. De fato, tudo na vida cristã, do começo ao fim, é
dado, promovido, sustentado e concluído totalmente pela vida substituída de
Cristo, em nós.
Sendo assim, é bom
ter discernimento e acuidade diante dessa atitude sutil de indulgência que vem
sempre disfarçada de adequação: Quem
tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. Apocalipse 2:29.
Todo cuidado é pouco
com a tolerância que fomenta, nas entrelinhas, o culto que cultiva as mais
indistintas formas de idolatria. Esse terreno encontra-se minado e qualquer um
de nós corre risco sério ao andar por ele. Que o Senhor nos guarde. Amém.
Glênio Fonseca Paranaguá
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